Alergia alimentar - Dr Salim Médico de Família - Hospital Sírio Libanês

Alergia alimentar ou intolerância alimentar?

A alergia alimentar ocorre quando o sistema imunológico de um indivíduo reage de forma exagerada a um alimento que normalmente é inofensivo. Isso é causado por uma produção exagerada de IgE específica para o determinado alimento. A alergia alimentar frequentemente se manifesta em indivíduos que têm parentes alérgicos, e os sintomas podem aparecer mesmo após a ingestão de quantidades ínfimas do alimento.

Já a intolerância alimentar, se refere a uma resposta anormal do organismo a um determinado alimento ou aditivo alimentar, sem a participação do sistema imunológico. Por exemplo, um indivíduo pode apresentar sintomas abdominais após ingerir leite. Essa reação geralmente é causada por intolerância à lactose (açúcar existente no leite) e costuma ocorrer em indivíduos que não são capazes de produzir as enzimas necessárias para a digestão do leite.

Qual é a incidência de reações alérgicas a alimentos na população?

Estudos realizados nos EUA estimam que 8% das crianças americanas apresentem algum tipo de alergia alimentar, enquanto até 2% dos adultos podem manifestar esse tipo de reação alérgica.

Quais são os principais alimentos responsáveis pelos quadros de alergia alimentar?

Os alimentos que mais causam alergia alimentar, responsáveis por 90% dos casos, são:

  • leite de vaca;
  • ovos;
  • amendoim;
  • trigo;
  • soja;
  • peixe;
  • frutos do mar;
  • nozes.

Alergia alimentar - Dr Salim Médico de Família - Hospital Sírio LibanêsÉ importante lembrar que a parte dos alimentos que causa alergia são as proteínas, e que a maioria desses alimentos continua provocando reações mesmo após o cozimento. Além disso, existem proteínas que são comuns em diferentes alimentos, especialmente entre os frutos do mar, o que pode levar a ocorrência de reações cruzadas entre esses alimentos. Por outro lado, reações cruzadas entre leite de vaca e carne bovina não são comuns e pacientes alérgicos a ovo podem comer frango sem problemas.

Chocolate e carne de porco, embora teoricamente possam causar alergia alimentar, não são causas comuns de alergia. No entanto, são alimentos capazes de provocar a liberação de histamina (por mecanismos não imunológicos) e, se consumidos em grandes quantidades, podem provocar reações muito semelhantes às alergias.

Como saber se eu tenho alergia alimentar?

A manifestação cutânea mais comum de alergia alimentar é a urticária. O eczema, ou dermatite atópica, também pode ser desencadeado por uma alergia alimentar. Sintomas como falta de ar, tosse e chiado, provocados por broncoespasmo, (espasmo dos brônquios pulmonares) são manifestações respiratórias de alergia alimentar, principalmente em lactentes e crianças.

As manifestações digestivas incluem vômitos, diarreia e cólicas abdominais, e menos frequentemente coceira e inchaço na boca e garganta, dor abdominal e náuseas. Alguns pacientes podem apresentar, ainda, manifestações sistêmicas graves como a anafilaxia.

Uma vez que o indivíduo apresentou algum desses sintomas relacionados à ingestão de determinado alimento, ele deverá procurar um médico. Os testes cutâneos podem ser úteis para o diagnóstico de alergia alimentar, desde que exista algum alimento suspeito. Um teste cutâneo negativo praticamente exclui a possibilidade de o indivíduo ser alérgico a determinado alimento.

Outro método de diagnóstico que pode ser utilizado é o RAST, principalmente nos casos em que há contraindicação de realização do teste cutâneo. É importante lembrar que os resultados devem ser analisados em conjunto com a história do paciente, pois o teste negativo ou positivo não é suficiente para concluir o diagnóstico.

Como confirmar um diagnóstico de alergia alimentar?

Alergia alimentar - Dr Salim Médico de Família - Hospital Sírio LibanêsAo identificar um alimento suspeito, esse alimento deve ser retirado da dieta. Ocorrendo melhora dos sintomas, o alimento em questão é provavelmente o responsável pelas reações. A confirmação desse diagnóstico pode ser feita por meio de um teste de provocação, que deve ser realizado sempre sob supervisão médica.

No teste de provocação, o alimento suspeito vai ser ingerido pelo paciente, e será observado o desenvolvimento de novas reações. Caso isso aconteça, considera-se o indivíduo como alérgico a esse alimento.

Existe algum tipo de vacina para tratar a alergia alimentar?

Não. Até o momento não existe nenhum tipo de vacina ou imunoterapia para o tratamento de alergia alimentar que tenha demonstrado ser eficaz em testes clínicos. O tratamento é feito com medidas profiláticas e medicamentos, de acordo com a sintomatologia de cada paciente, e deve sempre ser orientado por um médico.

Quais são os cuidados que uma pessoa com alergia alimentar deve ter?

Como em qualquer caso de alergia, a primeira medida a ser tomada é evitar o contato com o agente causador, ou seja, evitar o consumo do alimento em questão. Quando for a restaurantes, a pessoa deve perguntar sempre quais os ingredientes utilizados no preparo dos pratos. Muitas vezes o ingrediente “escondido” pode desencadear uma reação alérgica.

É preciso ler sempre os rótulos dos alimentos. Muitas vezes é listado o nome científico nas embalagens dos alimentos, e não o nome com o qual as pessoas estão acostumadas (por exemplo, um rótulo pode não indicar leite, mas sim caseína, que é uma proteína do leite).

A pessoa deve estar sempre preparada para uma emergência, tendo sempre em mãos o medicamento prescrito pelo médico para casos de uma reação inesperada. A informação é a arma mais eficiente no tratamento da alergia alimentar, principalmente para os pacientes com história de reações graves.

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