Catarata - Por Dr. Salim Médico de Família

Catarata, o principal motivo de cegueira no mundo

 

A catarata é uma doença de evolução lenta e progressiva, sendo, atualmente, a principal causa de perda de visão no mundo. Cerca de 160 milhões de pessoas em todo o planeta sofrem de catarata em algum grau. Dentre a população com mais de 65 anos, quase metade dos indivíduos tem catarata.

Apesar de ser uma causa comum de cegueira, felizmente, a catarata tem cura e pode ser corrigida através de cirurgia. Mesmo os pacientes com casos de catarata avançada podem voltar a enxergar após a cirurgia.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a catarata é responsável por 47,8% dos casos de cegueira no mundo, acometendo principalmente a população idosa.

Mesmo sendo uma doença do envelhecimento, pessoas mais jovens podem ter o problema.

Doenças como glaucoma e diabetes também podem favorecer o surgimento de catarata.

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Catarata

O termo “catarata” é dado para qualquer tipo de perda de transparência do cristalino, lente natural situada atrás da íris, seja ela congênita ou adquirida, independente de causar ou não prejuízos à visão.

Normalmente, o cristalino se opacifica com a idade e leva aos sintomas da catarata, que incluem ofuscamento às luzes, perda de contraste e diminuição de visão. A perda da transparência desta lente constitui a catarata que impede que a imagem atinja nitidamente a retina.

Após sua retirada, implanta-se uma lente em seu lugar. Atualmente, a cirurgia é feita sem internação, sob anestesia de colírios e leva cerca de 10 a 15 minutos.

A pele que recobre o olho que recobre o olho externamente e que muitos confundem com a catarata é chamada de Pterígio, que, na verdade, é uma degeneração da conjuntiva e pode ter ou não indicação cirúrgica.

 

Causas da Catarata

A catarata é uma doença multifatorial e pode ser congênita ou adquirida. A causa mais comum da catarata é o envelhecimento do cristalino que ocorre pela idade, denominada de catarata senil. Porém também poderá estar associada a alterações metabólicas que ocorrem em certas doenças sistêmicas, (ex. Diabetes Mellitus), oculares (ex. uveíte), tabagismo, alcoolismo, secundária ao uso de certos medicamentos (ex. corticoides) ou a trauma e inflamações nos olhos (contuso, perfurante, por infravermelho, descarga elétrica, radiação ultravioleta, raios X, betaterapia ou queimaduras químicas graves).

 

Catarata nos dois olhos

A catarata pode acometer apenas um, ou ambos os olhos, dependendo de sua causa. A catarata relacionada à idade, doença sistêmica ou ao uso de corticosteroides sistêmicos, geralmente é bilateral e assimétrica, ou seja, pode estar mais avançada em um dos olhos. Poderá ser unilateral se for secundária a doença ocular, ou ao trauma do olho acometido.

 

Sintomas da catarata

Na maioria das vezes, a catarata não pode ser diagnosticada a olho nu e nem mesmo é percebida facilmente pelos próprios portadores da catarata nas suas fases iniciais.

Os principais sintomas da catarata são:

– Sensação de visão embaçada

– Alteração contínua da refração (grau dos óculos),

– Maior sensibilidade à luz,

– Espalhamento dos reflexos ao redor das luzes

– Percepção que as cores estão desbotadas.

– Ofuscamento ao olhar as luzes à noite

– Imagem borrada

– Perda da percepção de cores

Geralmente há uma piora da miopia com redução da visão em baixo contraste e baixa luminosidade principalmente para longe, comparativamente à visão para perto.

 

Diagnóstico da catarata

Somente o oftalmologista poderá solicitar os exames necessários para a confirmação do diagnóstico, bem como, indicar o melhor procedimento cirúrgico para tratamento.

 

Prevenção da catarata

Não há como evitar a predisposição genética e nem o envelhecimento do cristalino. Porém, algumas medidas preventivas podem ser realizadas visando reduzir alguns fatores de risco para o desenvolvimento da catarata.

– Reduzir o tabagismo

– Proteger-se contra a radiação ultravioleta (principalmente UVB) utilizando óculos escuros

– Evitar traumas,

– Controlar o Diabetes Mellitus

– Minimizar o uso de corticoides

 

Tratamento da catarata

Unicamente cirúrgico, não existe tratamento clínico para esse problema ocular.

O comprometimento visual é que determina a necessidade ou não de cirurgia, independentemente da idade.

 

A cura da catarata

A deficiência visual causada pela opacificação do cristalino pode ser revertida com tratamento cirúrgico, no qual a lente natural opaca é removida e substituída por uma lente artificial transparente, chamada de lente intraocular.

 

Cirurgia da catarata

A cirurgia da catarata consiste da remoção do cristalino opaco e sua substituição por uma prótese transparente (lente intraocular) para possibilitar melhor passagem dos estímulos luminosos para o interior do olho e é denominada facectomia com implante de lente intraocular.

O cálculo da graduação da lente realizado antes da cirurgia, permite a correção do grau do paciente.

Curativo: poderá ser retirado no outro dia ou, por opção do cirurgião ou paciente, no mesmo dia. Retornos: existe um protocolo para retornos que incluem datas e exames que permitem um acompanhamento seguro

 

Evolução da cirurgia

A cirurgia de catarata é a cirurgia mais realizada na oftalmologia e foi uma das técnicas cirúrgicas que mais evoluiu nas últimas décadas. Há pouco mais de 30 anos, era realizada sob anestesia geral, a catarata era removida através de uma incisão ampla, seguida por implante de lente intraocular rígida e múltiplas suturas do globo ocular. Atualmente, a incisão é de cerca de dois milímetros, a catarata é emulsificada (fragmentada) em pequenos pedaços e aspirada por um aparelho chamado de facoemulsificador e a lente intraocular é dobrável. A incisão de pequeno tamanho e arquitetura auto selante, geralmente, dispensa a utilização de suturas. Trata-se de um procedimento microscópico de alta complexidade, é muito seguro, porém, como qualquer procedimento invasivo, não é isento de riscos. A tecnologia atual e a experiência do cirurgião reduzem significamente esse risco. A saúde geral e ocular do paciente, bem como sua história familiar, são fatores que influenciam diretamente o resultado cirúrgico. Além disso, é fundamental que o paciente siga as orientações pré e pós-operatórias de seu oftalmologista para minorar os riscos.

Acesse a Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa.

 

Operar agora ou esperar

Segundo a Associação Brasileira de Catarata, na técnica cirúrgica antiga, denominada extra capsular, em que se removia a catarata sem fragmentá-la, havia o consenso de se aguardar a catarata evoluir (amadurecer) para se indicar a cirurgia, pois o procedimento era mais invasivo e sua recuperação mais prolongada, com maiores riscos para o paciente. Com o advento da facoemulsificação, houve uma mudança nesta abordagem, evitando-se que a catarata chegue a um estado muito avançado, pois a sua rigidez dificultará a sua aspiração, aumentando o risco de complicações cirúrgicas e o tempo de recuperação pós-operatório. A indicação mais frequente da cirurgia de catarata é o desejo, por parte do paciente, de enxergar melhor. Entretanto, em determinadas circunstâncias, pode ser necessário partir do oftalmologista a indicação, visando tratar ou evitar complicações decorrentes da presença do cristalino doente, opaco e/ou de volume aumentado, ou ainda para possibilitar a avaliação e tratamento de doenças da retina e do nervo óptico.

 

Médicos qualificados

Como posso saber se o médico que irá me operar está realmente qualificado? O primeiro passo é saber se o cirurgião é de fato um especialista nesta área. Para isso, é possível consultar a lista de membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Catarata e Refrativa (BRASCRS). Também é importante ter referências de amigos ou parentes que tenham sido operados por este oftalmologista e, além disso, conhecer o local em que seu médico costuma operar. A confiança é fundamental para o sucesso do tratamento.

 

Anestesia local

Na cirurgia de catarata, a anestesia é local podendo ser realizada somente com gotas anestésicas, ou através da injeção de pequena quantidade de anestésico local na região inferior da órbita, técnica denominada bloqueio peribulbar, onde o globo permanece sem movimento e sem sensibilidade. O paciente pode se manter lúcido ou ligeiramente sedado. A anestesia é sempre realizada por profissional habilitado, médico anestesista, que também é o responsável pelo acompanhamento clínico do paciente durante o procedimento, com monitorização cardíaca e oximetria de pulso ao longo da cirurgia. Nos casos de catarata em crianças ou adultos com dificuldades de controle dos movimentos ou de compreensão, a anestesia deve ser geral.

 

Pós – operatório da cirurgia da catarata

  • Modo correto de utilização dos medicamentos
  • Usar a visão logo após operar a catarata
  • Tempo de repouso
  • Lavar a cabeça
  • Retorno às atividades
  • Praticar esportes após a cirurgia, etc.
  • As orientações sobre os cuidados pós-operatórios são específicas para cada caso e serão fornecidas pelo oftalmologista responsável.

 

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