Envelhecimento Cutâneo - Por Dr. Salim Médico de Família

Fotoenvelhecimento: minimize os danos que surgem com o tempo

O envelhecimento cutâneo ocorre por dois motivos: passagem natural do tempo que é o envelhecimento cronológico (intrínseco). Os fatores ambientais que interagem com a pele (envelhecimento extrínseco) também contribuem muito para o desgaste da pele. Também conhecido como fotoenvelhecimento, o envelhecimento extrínseco é causado principalmente pela exposição ao sol, que tem efeito cumulativo e potencializa o surgimento de rugas, manchas e até câncer de pele.

 

 

Envelhecimento cronológico

O envelhecimento cronológico acompanha o processo registrado também com outros órgãos frente a degeneração natural do corpo e não tem relação com fatores ambientais. Com o passar dos anos, as células diminuem sua capacidade de renovação, e despenca a produção das fibras de colágeno e elastina, que dão firmeza e tonicidade. Com isso, a pele perde elasticidade e se torna mais fina e flácida, surgem aí as primeiras rugas finas na superfície, e é acometida também pela atrofia.

A menor atividade das glândulas sudoríparas torna a pele mais seca e acelera o envelhecimento. A redução da microcirculação sanguínea diminui sua vitalidade e luminosidade. Além disso, todos os dias realizamos mais de 1.500 contrações faciais, que marcam a epiderme na forma de linhas finas e rugas de expressão. O processo de envelhecimento cronológico acentua as rugas de expressão, que tendem a ficar mais profundas e marcadas com o passar dos anos.

 

 

Fotoenvelhecimento

Desencadeado pela interação com fatores ambientais, especialmente exposição à radiação UV, o envelhecimento extrínseco (ou fotoenvelhecimento) tem características que o diferencial do envelhecimento cronológico da pele. A radiação associada ao processo é a UVA, também utilizada em câmaras de bronzeamento artificial. Embora tenha comprimento de onda mais curto, ela atinge mais profundamente a derme do que a radiação UVB.

Ao penetrar a derme, os raios UVA danificam as fibras de colágeno, o que leva a uma produção de elastina anormal. Na sequência, ocorre a produção das enzimas metaloproteinases. Essas enzimas, que reconstróem o colágeno danificado, geralmente acabam operando mal e, assim, degradam ainda amais o colágeno, o que resulta em uma pele “reconstruída” de forma incorreta.

 

 

Processo de fotoenvelhecimento

Enquanto na juventude a cútis consegue corrigir naturalmente as alterações provocadas pelo Sol, na maturidade já não é mais possível reverter esses danos. Com isso, conforme o tempo passa, a pele, incorretamente reconstruída, forma rugas e adquire um aspecto “curtido”, e apresenta manchas e lesões pigmentadas.  E como a exposição ao Sol tem efeito cumulativo, o dano causado pelos excessos cometidos na infância e adolescência – estima-se que recebemos 80% de toda a radiação solar da vida até os 18 anos –  só serão percebidos muito tempo depois.

A exposição à radiação ultravioleta (UV) tem efeito cumulativo e os raios solares penetram profundamente na pele, podendo provocar diversas alterações, como o surgimento de pintas, sardas, manchas, rugas e outros problemas.

A exposição solar em excesso também pode causar tumores benignos (não cancerosos) ou malignos, como o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma.

 

 

Diferenças no envelhecimento

A pele fotoenvelhecida difere significativamente da pele que enfrentou apenas o envelhecimento cronológico. Enquanto uma pele envelhecida pela passagem do tempo apresenta textura mais lisa, ligeiramente atrofiada, com rugas discretas e sem manchas, a pele fotoenvelhecida possui superfície nodular áspera e espessa, repleta de manchas e de rugas acentuadas. Uma forma clássica de constatar a extensão do fotoenvelhecimento é comparar o aspecto de uma parte do corpo mais exposta à radiação solar (como o rosto ou as mãos) e de outra mais protegida, como os seios ou as axilas. A diferença entre ambas é marcante.

 

Envelhecimento x radicais livres

Outro fator ambiental relacionado ao envelhecimento pele são os radicais livres, moléculas instáveis produzidas naturalmente pelo corpo durante o processo de queima de oxigênio, que tendem a se associar rapidamente a outras moléculas de carga positiva e oxidar. Quando em excesso, as moléculas podem provocar problemas de saúde e acelerar o processo de envelhecimento.

 

 

Aceleração do envelhecimento

Alguns fatores externos que contribuem para a produção de radicais livres são:

 

  • Consumo excessivo de álcool
  • Estresse
  • Poluição
  • Cigarro
  • Alimentos industrializados ricos em gorduras saturada
  • Radiação UV

Assim, um estilo de vida saudável, com o controle do estresse, a prática de exercícios físicos e uma alimentação balanceada, rica em vegetais e alimentos antioxidantes – que conseguem reduzir a concentração de radicais livres – são práticas que, ao lado da proteção solar, contribuem decisivamente para prevenir o fotoenvelhecimento.

 

 

Como prevenir o fotoenvelhecimento

Existem diversas medidas para prevenir o fotoenvelhecimento, e o ideal é iniciar todas desde muito cedo – na primeira infância, preferencialmente, já que a interação com o Sol e outros fatores ambientais tem efeito cumulativo no organismo.

 

Combata o envelhecimento

  • Use protetor solar FPS 30 ou mais regularmente, mesmo em dias frios, nublados ou chuvosos, nas áreas mais expostas ao sol – rosto, pescoço, colo, braços, mãos;
  • Aplique o protetor no mínimo meia hora antes de sair ao sol, e repasse a cada duas horas; Sempre que entrar na água, transpirar ou secar-se com toalha, o protetor deve ser reposto na pele;
  • Evite o sol entre 10 da manhã e 4 da tarde;
  • Sempre use chapéu, óculos escuros, camisetas e guarda-sóis quando for à praia e piscina;
  • Nas atividades ao ar livre, nas caminhadas proteja-se também com o filtro;
  • Use e abuse do estilo de vida saudável;
  • À mesa, alimentos ricos em antioxidantes como frutas cítricas e vegetais verde-escuros.
  • Evite o uso excessivo de sabonetes, buchas, banhos muito quentes e prolongados, principalmente no inverno.
  • Não faça esfoliações excessivas na pele.

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Envelhecimento x radiação UVA e UVB

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, um fotoprotetor eficiente deve oferecer boa proteção contra a radiação UVA e UVB. A radiação UVA tem comprimento de onda mais longo e sua intensidade pouco varia ao longo do dia. Ela penetra profundamente na pele, e é a principal responsável pelo fotoenvelhecimento e pelo câncer da pele. Já a radiação UVB tem comprimento de onda mais curto e é mais intensa entre as 10 e 16 horas, sendo a principal responsável pelas queimaduras solares e pela vermelhidão na pele.

Um fotoprotetor com fator de proteção solar (FPS) 2 até 15 possui baixa proteção contra a radiação UVB; o FPS 15-30 oferece média proteção contra UVB, enquanto os protetores com FPS 30-50 oferecem alta proteção UVB, e o FPS maior que 50, altíssima proteção UVB. Pessoas de pele clara, que se queimam sempre e nunca se bronzeiam, geralmente aqueles com cabelos ruivos ou loiros e olhos claros, devem usar protetores solares com FPS 15, no mínimo.

Já em relação aos raios UVA, não há consenso quanto à metodologia do fator de proteção. Ele pode ser mensurado em estrelas, de 0 a 4, onde 0 é nenhuma proteção e 4 é altíssima proteção UVA, ou em números: < 2, não há proteção UVA; 2-4 baixa proteção; 4-8 média proteção, 8-12 alta proteção e > 12 altíssima proteção UVA. O ideal é procurar por esta classificação ou pelo valor de PPD nos rótulos dos produtos.

Mais informações sobre os cuidados com a sua pele podem ser conferidas neste link da Sociedade Brasileira de Dermatologia, consulte. O conhecimento pode prevenir problemas futuros com a sua pele.

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