Alergia alimentar ou intolerância alimentar?

A alergia alimentar ocorre quando o sistema imunológico de um indivíduo reage de forma exagerada a um alimento que normalmente é inofensivo. Isso é causado por uma produção exagerada de IgE específica para o determinado alimento. A alergia alimentar frequentemente se manifesta em indivíduos que têm parentes alérgicos, e os sintomas podem aparecer mesmo após a ingestão de quantidades ínfimas do alimento.

Já a intolerância alimentar, se refere a uma resposta anormal do organismo a um determinado alimento ou aditivo alimentar, sem a participação do sistema imunológico. Por exemplo, um indivíduo pode apresentar sintomas abdominais após ingerir leite. Essa reação geralmente é causada por intolerância à lactose (açúcar existente no leite) e costuma ocorrer em indivíduos que não são capazes de produzir as enzimas necessárias para a digestão do leite.

Qual é a incidência de reações alérgicas a alimentos na população?

Estudos realizados nos EUA estimam que 8% das crianças americanas apresentem algum tipo de alergia alimentar, enquanto até 2% dos adultos podem manifestar esse tipo de reação alérgica.

Quais são os principais alimentos responsáveis pelos quadros de alergia alimentar?

Os alimentos que mais causam alergia alimentar, responsáveis por 90% dos casos, são:

  • leite de vaca;
  • ovos;
  • amendoim;
  • trigo;
  • soja;
  • peixe;
  • frutos do mar;
  • nozes.

É importante lembrar que a parte dos alimentos que causa alergia são as proteínas, e que a maioria desses alimentos continua provocando reações mesmo após o cozimento. Além disso, existem proteínas que são comuns em diferentes alimentos, especialmente entre os frutos do mar, o que pode levar a ocorrência de reações cruzadas entre esses alimentos. Por outro lado, reações cruzadas entre leite de vaca e carne bovina não são comuns e pacientes alérgicos a ovo podem comer frango sem problemas.

Chocolate e carne de porco, embora teoricamente possam causar alergia alimentar, não são causas comuns de alergia. No entanto, são alimentos capazes de provocar a liberação de histamina (por mecanismos não imunológicos) e, se consumidos em grandes quantidades, podem provocar reações muito semelhantes às alergias.

Como saber se eu tenho alergia alimentar?

A manifestação cutânea mais comum de alergia alimentar é a urticária. O eczema, ou dermatite atópica, também pode ser desencadeado por uma alergia alimentar. Sintomas como falta de ar, tosse e chiado, provocados por broncoespasmo, (espasmo dos brônquios pulmonares) são manifestações respiratórias de alergia alimentar, principalmente em lactentes e crianças.

As manifestações digestivas incluem vômitos, diarreia e cólicas abdominais, e menos frequentemente coceira e inchaço na boca e garganta, dor abdominal e náuseas. Alguns pacientes podem apresentar, ainda, manifestações sistêmicas graves como a anafilaxia.

Uma vez que o indivíduo apresentou algum desses sintomas relacionados à ingestão de determinado alimento, ele deverá procurar um médico. Os testes cutâneos podem ser úteis para o diagnóstico de alergia alimentar, desde que exista algum alimento suspeito. Um teste cutâneo negativo praticamente exclui a possibilidade de o indivíduo ser alérgico a determinado alimento.

Outro método de diagnóstico que pode ser utilizado é o RAST, principalmente nos casos em que há contraindicação de realização do teste cutâneo. É importante lembrar que os resultados devem ser analisados em conjunto com a história do paciente, pois o teste negativo ou positivo não é suficiente para concluir o diagnóstico.

Como confirmar um diagnóstico de alergia alimentar?

Alergia alimentar - Dr Salim Médico de Família - Hospital Sírio LibanêsAo identificar um alimento suspeito, esse alimento deve ser retirado da dieta. Ocorrendo melhora dos sintomas, o alimento em questão é provavelmente o responsável pelas reações. A confirmação desse diagnóstico pode ser feita por meio de um teste de provocação, que deve ser realizado sempre sob supervisão médica.

No teste de provocação, o alimento suspeito vai ser ingerido pelo paciente, e será observado o desenvolvimento de novas reações. Caso isso aconteça, considera-se o indivíduo como alérgico a esse alimento.

Existe algum tipo de vacina para tratar a alergia alimentar?

Não. Até o momento não existe nenhum tipo de vacina ou imunoterapia para o tratamento de alergia alimentar que tenha demonstrado ser eficaz em testes clínicos. O tratamento é feito com medidas profiláticas e medicamentos, de acordo com a sintomatologia de cada paciente, e deve sempre ser orientado por um médico.

Quais são os cuidados que uma pessoa com alergia alimentar deve ter?

Como em qualquer caso de alergia, a primeira medida a ser tomada é evitar o contato com o agente causador, ou seja, evitar o consumo do alimento em questão. Quando for a restaurantes, a pessoa deve perguntar sempre quais os ingredientes utilizados no preparo dos pratos. Muitas vezes o ingrediente “escondido” pode desencadear uma reação alérgica.

É preciso ler sempre os rótulos dos alimentos. Muitas vezes é listado o nome científico nas embalagens dos alimentos, e não o nome com o qual as pessoas estão acostumadas (por exemplo, um rótulo pode não indicar leite, mas sim caseína, que é uma proteína do leite).

A pessoa deve estar sempre preparada para uma emergência, tendo sempre em mãos o medicamento prescrito pelo médico para casos de uma reação inesperada. A informação é a arma mais eficiente no tratamento da alergia alimentar, principalmente para os pacientes com história de reações graves.

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CRM-SP 43163

É conhecido também como médico da família. Formado em 1981, na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, concluindo residência dois anos depois, em 1983. Desde então, atua como clínico geral no Hospital Sírio Libanês, além de atender também em sua clínica privada.

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