Doença coronariana mata 30% da população nos grandes centros

A doença coronariana é uma das principais causas de morte em todos os países, desenvolvidos e emergentes, sendo uma típica “doença da civilização” que todos os anos mata milhares de pessoas.Calcula-se que a doença coronária responda, em média, por 30% do total de mortes entre a população dos países industrializados. É uma verdadeira “epidemia” moderna, embora não seja como as antigas pragas de origem infecciosa, visto que é favorecida por uma série de hábitos e costumes próprios desta época como, por exemplo, a alimentação desequilibrada, a obesidade, o tabagismo, o sedentarismo, o stress…Isto quer dizer que alguns dos fatores de risco associados à doença são modificáveis e dependem única e exclusivamente do comportamento de cada indivíduo no que toca à sua saúde.A doença coronariana é o tipo mais comum de doença cardíaca e consiste na insuficiência das artérias coronárias que são os vasos sanguíneos encarregados de irrigar o coração, de proporcionarem ao músculo cardíaco, o miocárdio, os nutrientes e o oxigénio de que este necessita para manter a sua constante atividade.O depósito de gorduras e de outras substâncias na parede das artérias coronárias leva à formação de placas que estreitam a entrada dos vasos, impedindo a circulação sanguínea no seu interior e a correta irrigação dos tecidos do coração.Trata-se de um processo lento e progressivo, que passa despercebido durante muitos anos, mas que ao atingir um determinado ponto provoca o déficit de irrigação do miocárdio, com manifestações típicas e, muitas vezes, com consequências terríveis.Assim, a doença coronária pode manifestar-se por uma dor toráxica passageira, denominada de angina de peito, que resulta de uma diminuição transitória na irrigação do miocárdio, ou por uma situação mais grave, o enfarte do miocárdio, em que o déficit de irrigação é mais prolongado, resultando daí a necrose ou morte de células musculares cardíacas da região afetada. Por vezes, as lesões provocadas são tão graves, que delas resulta a morte súbita, a terceira forma mais comum de aparecimento da doença coronária.Hoje em dia, existem muitos meios disponíveis para tratar e prevenir as nefastas consequências desta grave doença, mas considera-se que a principal arma para a combater é a informação. Ou seja, saber em que consiste, porque se produz, como se manifesta, quando se deve solicitar ajuda médica, de que modo se diagnostica, qual o seu tratamento e, como é óbvio, o que se pode fazer para a evitar.

Fatores de risco da doença coronariana

Hipertensão arterial

Considera-se hipertensão arterial à pressão arterial acima de 140×90 mmHg (milímetros de mercúrio) em adultos com mais de 18 anos. A medição deve ser feita após repouso de quinze minutos e confirmada em três vezes consecutivas e em várias visitas médicas.Elevações ocasionais da pressão podem ocorrer com exercícios físicos, nervosismo, preocupações, drogas, alimentos, fumo, álcool e café.O coração é uma bomba eficiente que bate de 60 a 80 vezes por minuto durante toda a nossa vida e impulsiona de 5 a 6 litros de sangue por minuto para todo o corpo.Pressão arterial é a força com a qual o coração bombeia o sangue através dos vasos. É determinada pelo volume de sangue que sai do coração e a resistência que ele encontra para circular no corpo.Ela pode ser modificada pela variação do volume de sangue ou viscosidade (espessura) do sangue, da frequência cardíaca (batimentos cardíacos por minuto) e da elasticidade dos vasos. Os estímulos hormonais e nervosos que regulam a resistência sanguínea sofrem a influência pessoal e ambiental.

Colesterol

O colesterol é uma gordura essencial existente no nosso organismo, que tem duas origens: uma parte produzida pelo próprio organismo, em particular o fígado, e outra parte obtida através da alimentação, em particular pela ingestão de produtos animais, como a carne, os ovos, e os produtos lácteos.O organismo necessita de algum colesterol para produzir as membranas (paredes) celulares, hormonas, vitamina D e ácidos biliares, que ajudam a digerir os alimentos.No entanto, o corpo precisa apenas de uma pequena quantidade de colesterol para satisfazer as suas necessidades. Quando o colesterol está em excesso, deposita-se nas paredes arteriais, constituindo as chamadas placas ateroscleróticas que reduzem o calibre dos vasos, dificultando o afluxo de sangue aos órgãos e tecidos do organismo.Quando o sangue oxigenado não chega em quantidade suficiente ao músculo cardíaco pode ocorrer uma dor no peito, a chamada angina, já referida, e se a obstrução da artéria coronária for completa pode desencadear-se um enfarte do miocárdio, com a morte de parte do miocárdio.Do colesterol que circula no sangue e que está ligado a uma proteína (a este conjunto colesterol-proteína é conhecido por lipoproteína) existem três tipos: as lipoproteínas altas, baixas ou muito baixas, em função da respectiva proporção de proteína e gordura de cada uma e que determina a sua densidade.Assim, as lipoproteínas de baixa densidade (LDL) são vulgarmente conhecidas como “mau”colesterol, por ser aquele que se deposita na parede das artérias, provocando aterosclerose. Quanto mais altas forem as LDL no sangue, maior é o risco de doença cardiovascular; As lipoproteínas de alta densidade (HDL) também conhecidas por colesterol “bom”, que tem como papel a limpeza das artérias, pelo que quanto mais altas forem menor risco há de surgir doença cardiovascular; Por fim, as lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL) são semelhantes às LDL, mas contendo mais gordura e menos proteínas.As sociedades científicas europeias recomendam como valores normais um colesterol inferior a 190 mg/dl, quando se trata da população em geral. No caso dos doentes com doença coronária, ou outra doença aterosclerótica (acidente vascular cerebral, doença vascular periférica, etc.), diabetes ou insuficiência renal recomendam-se valores de colesterol inferiores a 175 mg/dl. Já para o colesterol das LDL os valores recomendados são respectivamente inferiores a 115 mg/dl para a população em geral e a 100 mg/dl nos doentes de alto risco.

Tabagismo, alimentação inadequada e sedentarismo

A falta de atividade física em conjunto com uma alimentação rica em gorduras e super calórica está associada ao desenvolvimento da doença coronária. Esta associação pode provocar um processo de regressão funcional, perda de flexibilidade articular além de comprometer o funcionamento de vários órgãos e provocar diabetes, hipertensão arterial, colesterol, todos fatores de risco da doença coronária.Assim, uma alimentação saudável, a prática de atividade física diariamente, o controle do peso, bem como não fumar são a base indispensável para termos um coração saudável e uma vida longa e com qualidade.A atitude mais sensata é sem dúvida a alteração do estilo de vida, tanto a nível alimentar como a nível comportamental.

Diabetes

A diabetes é uma doença crónica caracterizada pelo aumento dos níveis de açúcar (glucose) no sangue. À quantidade de glucose no sangue, chama-se glicemia. Ao aumento da glicemia, chama-se: hiperglicemia.A diabetes é uma situação muito frequente na nossa sociedade e a sua frequência aumenta muito com a idade, atingindo os 2 sexos.A diabetes é uma doença que resulta de uma deficiente capacidade de utilização pelo nosso organismo da nossa principal fonte de energia – a glicose. Muitos dos alimentos que ingerimos são transformados em glicose no nosso aparelho digestivo. Ela resulta da digestão e transformação dos amidos e dos açúcares da nossa alimentação. Depois de absorvida, entra na circulação sanguínea e está disponível para as células a utilizarem.Para que a glicose possa ser utilizada como fonte de energia, é necessária a insulina. A insulina é fundamental para a vida. A sua falta ou a insuficiência da sua ação leva a alterações muito importantes no aproveitamento dos açúcares, das gorduras e das proteínas que são a base de toda a nossa alimentação e constituem as fontes de energia do nosso organismo.A diabetes desenvolve-se quando o pâncreas não produz insulina suficiente ou as células dos músculos, fígado e de gordura não usam adequadamente a insulina. Como resultado, a quantidade de glicose no sangue aumenta, enquanto as células são privadas de energia.Com o passar do tempo, os níveis altos de glicose no sangue danificam os nervos e vasos sanguíneos, levando a complicações como a doença coronária ou o acidente vascular cerebral. A diabetes não controlada leva a outros problemas de saúde como, perda da visão, insuficiência renal e amputações. A doença coronariana, ou seja, das artérias coronárias é o tipo mais comum de doença cardíaca. Ela ocorre quando as artérias coronárias, que suprem o músculo cardíaco de sangue, ficam endurecidas e estreitas devido ao acúmulo de placas. Esse processo de acúmulo de placas e endurecimento e estreitamento das artérias é chamado de aterosclerose. As placas são uma mistura de substâncias gordurosas que incluem colesterol e outros lipídeos.O fluxo sanguíneo e suprimento de oxigênio ao coração pode ser reduzido com a placa, ou até totalmente bloqueado. As placas também podem romper e ocasionar coágulos sanguíneos que bloqueiam artérias.

Consequências da doença coronariana

A doença das coronárias pode ocasionar ataque cardíaco. Angina, que é a dor ou desconforto no peito que acontece quando o músculo cardíaco não está obtendo sangue suficiente, também pode ocorrer.Com o passar do tempo, a doença das artérias coronárias pode enfraquecer o músculo cardíaco e provocar insuficiência cardíaca, um problema sério no qual o coração não consegue bombear sangue como deveria. Doença das coronárias também pode ocasionar arritmia, que é o batimento cardíaco irregular.

Sintomas da doença coronariana

O sintoma mais comum da doença das artérias coronárias é angina. Em algumas pessoas, o primeiro sinal de doença coronariana é um ataque cardíaco. O médico pode estimar o risco do paciente desenvolver doença das artérias coronárias checando vários fatores como pressão arterial, colesterol e glicose no sangue, histórico médico, e outros fatores.

Diagnóstico da doença coronariana

Os médicos podem fazer vários testes para diagnosticar a doença das artérias coronárias em pacientes de alto risco ou que apresentam sintomas.Esses testes podem incluir:

  • Eletrocardiograma, o qual mede a função elétrica, taxa e regularidade da batida do coração.
  • Ecocardiografia, que cria imagem do coração.
  • Teste de esforço para medir como o coração bombeia trabalhando mais pesadamente do que o normal quando precisa de mais oxigênio.
  • Cateterismo cardíaco, no qual um tubo fino e flexível é passado através da artéria no braço ou virilha até as artérias coronárias. O tubo permite ao médico checar dentro das artérias e ver se estão bloqueadas. O médico também pode medir a pressão e fluxo sanguíneo nas válvulas cardíacas, coletar amostras de sangue do coração e examinar as artérias coronárias por raio-x.
  • Angiografia coronária, a qual geralmente é feita em conjunto com o cateterismo cardíaco. Um pigmento é inserido através do cateter nas artérias coronárias. O médico pode então tirar raio-x e ver o fluxo sanguíneo através do coração e checar entupimentos.

 

Tratamento da doença coronariana

Para pessoas com doença coronariana, o tratamento envolve focar nos fatores que os colocam em risco para essa doença e ataque cardíaco. O médico pode recomendar mudanças no estilo de vida para reduzir o risco.Também podem ser necessários medicamentos e tratamentos médicos. Há remédios disponíveis para tratar colesterol alto, pressão alta, arritmia e outros problemas.Alguns tratamentos avançados e procedimentos cirúrgicos podem ser usados para restaurar o fluxo sanguíneo ao músculo cardíaco.

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CRM-SP 43163

É conhecido também como médico da família. Formado em 1981, na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, concluindo residência dois anos depois, em 1983. Desde então, atua como clínico geral no Hospital Sírio Libanês, além de atender também em sua clínica privada.

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