Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC): Bronquite crônica e enfisema pulmonar

O que é bronquite crônica e enfisema?

Embora tendo características diferentes, podemos considerá-las duas faces da mesma doença. Em ambas acontece uma inflamação do sistema respiratório: enquanto a bronquite caracteriza-se por uma inflamação nos brônquios, no enfisema pulmonar ocorre inflamação e destruição dos alvéolos com formação de pequenas bolhas. Geralmente, o mesmo paciente apresenta características tanto da bronquite quanto do enfisema, com predominância de uma ou outra.

Clinicamente, as duas doenças têm em comum a obstrução à passagem do ar, principalmente no sentido dos alvéolos para a atmosfera (expiração), que é, em parte, responsável pelos sintomas, principalmente a hiperinsuflação pulmonar. Nesses casos, é comum os médicos definirem esses pacientes como portadores de DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), caracterizando uma associação de bronquite crônica e enfisema.

Qual é a frequência dessa doença?

Os sintomas de ambas as doenças costumam aparecer após os 50 anos. Na maioria dos casos, os pacientes têm um histórico de tabagismo por vários anos. A tosse, que é comum entre os fumantes, torna-se mais frequente e intensa e associada ao aumento da expectoração, que no início é clara, mas, à medida que as crises e infecções ficam mais comuns, torna-se mais purulenta (amarelada e espessa).

Esse aumento da secreção é decorrente da inflamação dos brônquios, que leva a um aumento da fabricação pelas glândulas produtoras. Em alguns pacientes, especialmente naqueles em que o enfisema predomina, a expectoração (catarro) é pequena ou mesmo inexistente.

A falta de ar aparece inicialmente associada apenas aos grandes esforços, mas, à medida que a doença avança, fica mais intensa, causando desconforto em pequenos esforços (como curtas caminhadas ou trocar de roupa) e até mesmo em repouso. Nos casos mais graves, há a necessidade de uso contínuo de oxigênio suplementar. Os sintomas da DPOC costumam piorar durante as crises, que normalmente são causadas por infecções.

Quais são as causas da DPOC?

O tabagismo é a causa mais importante. Estima-se que cerca de 90% das pessoas portadoras da DPOC são fumantes ou ex-fumantes, geralmente com história de pelo menos 15 a 20 anos de tabagismo. É importante Iembrar que fumar cachimbo ou charuto também aumentam a chance de a pessoa vir a apresentar a DPOC, embora menos que o hábito de fumar cigarros comuns.

Crianças, cujos pais são tabagistas, têm maior risco de ter asma ou infecções pulmonares, como a pneumonia. Estas “agressões” ao pulmão na infância podem predispor o surgimento da DPOC na vida adulta. A genética pode explicar a sensibilidade maior aos efeitos do tabaco, mas não ao desenvolvimento da DPOC.

A exceção e a deficiência de uma enzima, conhecida como alfa-l-antitripsina, que pode levar a uma forma de enfisema que aparece em uma idade mais precoce, por volta dos 40 anos – estes casos representam menos de 1% dos casos de enfisema.

A poluição, isoladamente, não pode ser apontada como causa da DPOC, Porém, a exposição a altos níveis de poluição pode agravar a doença e pessoas tabagistas terão mais chances de desenvolvê-la. Além disso, está provado que em locais ou períodos em que a concentração de poluentes é alta, há aumento no número de crises, internações e morte por DPOC.

Muitas vezes é difícil relacionar a exposição a substâncias nocivas no ambiente de trabalho ao desenvolvimento de DPOC, devido à somação de fatores de risco, corno o tabagismo, ou mesmo à mudança de locais de emprego. Algumas ocupações parecem estar associadas ao desenvolvimento ou progressão da doença: poeira de algodão (produção de fios), poeira de grãos (trabalhadores de moinhos de farinha ou ração), entre outros.

Como é feito o diagnóstico da DPOC?

O diagnóstico é baseado na história clínica, exame físico, radiografia e avaliação da função pulmonar. Assim, a presença de tosse crônica acompanhada de secreção por mais de 3 meses seguidos, durante 2 anos consecutivos, afastadas outras causas, é suficiente para o diagnóstico. A radiografia de tórax mostra sinais de hiperinsuflação pulmonar, ou seja, um aumento do volume pulmonar decorrente da obstrução das vias aéreas, que permite a entrada do ar mais facilmente que a sua saída. A espirometria (função pulmonar) mostra alteração obstrutiva que, ao contrário da asma, não melhora com bronco dilatadores.

Qual é o tratamento?

Dentre as medicações disponíveis, as mais importantes são os broncos dilatadores, que aliviam os sintomas de falta de ar. Como o próprio nome diz, estas substâncias agem dilatando os brônquios e facilitando a passagem do ar e a eliminação de secreções. Atualmente, são usados vários tipos destas medicações, sendo escolhidas aquelas que melhor se adaptem ao caso específico do paciente. Em alguns casos mais graves e com infecções de repetição, os corticoides (que são agentes anti-inflamatórios muito potentes, semelhantes a substâncias que produzimos naturalmente) na forma inalada podem ser úteis. Nesta situação, eles ajudam a melhorar os sintomas e a diminuir o número de crises. O uso de corticoides na forma oral não é recomendado, devido aos efeitos colaterais associados a estas medicações e a falta de comprovação de sua eficiência.

A aminofilina é uma medicação que tem sido cada vez menos utilizada nos dias de hoje. Ela tem ação fraca como bronco dilatador, mas tem outras ações, como melhorar a inflamação dos brônquios e a musculatura respiratória, porém causa muitos efeitos colaterais. Por isso, ela é reservada aos pacientes mais graves, nos quais a associação com outros bronco dilatadores pode ajudar a melhorar os sintomas. O uso de substâncias mucolíticas (ou seja, que facilitam a expectoração) é objeto de debate entre os médicos.

A real eficácia de sua ação é questionada, devendo seu uso ser restrito a casos específicos e não recomendadas de uma forma universal. Durante as crises, quando há suspeita de uma causa infecciosa, é necessário o uso de antibióticos.

Os corticoides sistêmicos, isto é, que atingem todo o organismo (orais ou intravenosos) devem ser administrados por curto tempo – em geral, em torno de 10 dias – na maior parte dos casos de agudização. Recomenda-se também o aumento temporário na dose dos bronco dilatadores. Consulte seu médico para receber a orientação mais adequada para o seu caso.

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CRM-SP 43163

É conhecido também como médico da família. Formado em 1981, na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, concluindo residência dois anos depois, em 1983. Desde então, atua como clínico geral no Hospital Sírio Libanês, além de atender também em sua clínica privada.

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2 Comentários

  1. Avatar

    Salim, vc é um médico super competente e, além disso, uma pessoa maravilhosa. Um querido ser humano. Um abraço e todo carinho da Márcia Machado.

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      Olá, Márcia. Tudo bem com você? Agradeço pelas palavras de carinho! Forte abraço.

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