A doação de um órgão é um ato espontâneo de amor ao próximo e deve ser totalmente desprovido de qualquer forma de interesse. Todo indivíduo sadio tem condições de viver com um único rim, sem prejuízo da qualidade de vida, nem necessidade de qualquer tipo de privação.

O doador, inclusive no caso de transplante renal, pode ser parente vivo (irmãos, filhos ou pais), não parente vivo ou cadáver. A vantagem do doador parente, ou relacionado, é a melhor sobrevida do paciente e do enxerto, uma vez que existe uma semelhança imunológica ou compatibilidade entre o doador e o receptor. Existe ainda o grupo de doador vivo não parente, os cônjuges ou amigos, com resultados melhores que os obtidos com doador cadáver e comparáveis com os relacionados.

A pessoa que for doar o órgão precisa ser adulto com idade superior a 21 anos e, preferencialmente, com mais de 30 anos. Os possíveis doadores com mais de 70 anos, desde que em excelentes condições de saúde, podem ser aceitos. O doador, antes de ser aceito, é submetido a um grande número de exames e a um interrogatório detalhado com a finalidade de se comprovar uma perfeita condição física e emocional para que possa ser aceito.

O doador cadáver é o doador ideal, pois os rins são retirados sem que ocorra nenhum risco e prejuízo à população. Esse tipo de doador é aquele indivíduo com morte encefálica, ou seja, sem qualquer evidência de atividade cerebral e que se encontre com o coração batendo. Pela legislação brasileira, assim como na maioria dos países no mundo, a vida é definida pela presença de atividade encefálica.

Na atualidade, quando uma família opta pela doação de órgãos de um ente querido, existe a possibilidade de beneficiar um número expressivo de indivíduos que se encontram privados de uma vida normal. Vários são os órgãos que pode ser doados: coração, fígado, rins, pâncreas e pulmões, assim como ossos, peles e córneas.

A captação e a escolha dos receptores para os diferentes órgãos são dirigidas e orientadas por uma central de distribuição, administrada pela Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo. Os candidatos se inscrevem nas várias listas existentes, que são de conhecimento público, e aguardam pela sorte de receber um órgão e ter condições de retomar às suas atividades e participar novamente da sociedade.

Para a realização do transplante renal, os rins do doente não precisam ser retirados, exceto em casos especiais. Em geral, o paciente permanece hospitalizado entre 7 e 14 dias, ficando com uma sonda na bexiga nos primeiros cinco dias.

No próximo texto sobre este assunto, vamos abordar como é a qualidade de vida da pessoa transplantada.