A bile é um líquido aquoso produzido pelas células do fígado e que é importante para digestão de alimentos no intestino, especialmente gorduras. As células do fígado secretam a bile produzida em pequenos canais, indo se concentrar na vesícula biliar. Uma vez na vesícula, a bile é concentrada e expelida para o intestino quando ali há a presença de alimento. Os cálculos (pedras) geralmente se formam na vesícula biliar, contudo, podem surgir em qualquer lugar onde haja bile, dentro do fígado, por exemplo.

A pedra na vesícula é muito comum, ocorrendo em 20% da população feminina, variando bastante entre os vários grupos étnicos. Existem vários tipos de cálculos, sendo que os principais são: cálculos de colesterol, que é o tipo mais frequente, aparece em 80% dos casos; e cálculos pigmentados, é o segundo tipo mais frequente, surge em 15% das situações.

É importante frisar que o colesterol alto ou dieta não estão relacionados ao desenvolvimento de cálculos biliares. Os fatores com maior risco são:

– Sexo: mais frequente em mulheres;

– Idade: a frequência aumenta com a idade;

– Obesidade;

– Gravidez;

– Terapia de reposição hormonal;

– Perda de peso rápida (após dieta ou cirurgia para redução do estômago);

– Níveis altos de triglicérides no sangue;

– Anemia falciforme;

– Cirrose hepática.

A maioria dos pacientes não apresenta sinais ou sintomas, nem mesmo sabe da existência dos cálculos biliares, pois eles são geralmente “silenciosos”. Muitas vezes são achados em exames de rotina, como ultrassom de abdome e tomografia. Os sinais podem aparecer mais tarde, ao longo da vida, depois de muitos anos assintomáticos. Contudo, uma vez que os sintomas estão presentes, eles perduram e geralmente tornam-se mais frequentes e de maior intensidade.

Os cálculos, muitas vezes, são os “culpados” por muitos sintomas que não são causados por eles. Entre eles: dispepsia (dor alta no estômago após se alimentar) e “gases”. Quando aparecem sinais ou sintomas, são causados por obstrução da passagem da bile pelos cálculos.

O sintoma mais comum da pedra na vesícula é a cólica biliar. É um tipo de dor peculiar, constante, variando de 15 minutos a seis horas, intensa, e que não piora à movimentação. A dor se localiza na porção superior direita do abdome e é acompanhada de náuseas. A cólica biliar é recorrente, podendo se tornar frequente ou não.

No próximo post sobre o assunto, valos falar sobre as possíveis complicações e o tratamento.

Federação Brasileira de Gastroenterologia: http://www.fbg.org.br/

WhatsApp Agende sua consulta